Dizem que ser mãe é sempre sentir culpa... pois bem: já me sinto assim...
Bem, depois da emoção do parto, de conhecer os gêmeos, é hora de encarar a realidade e vivenciar a nova situação de sua vida. VOCÊ É MÃE. Apesar de a princípio o cargo não ser "pesado", o novo título carrega certas expectativas que você teoricamente tem que corresponder. Bem, dentro dos meus planos maternos, tinha planejado como tudo seria. Nem tudo foi como pensei e/ou planejei. Fiquei e estou frustada com algumas coisas que vou enumerar na medida do possível.
1- AMAMENTAR NÃO É FÁCIL, É DOLORIDO E JOÃO NÃO PEGOU O PEITO
No curso da UNIMED a doutora havia comentado sobre, mas pensei: ah, na hora tudo se resolve. O colostro, teoricamente, é o suficiente para a criança ao nascer. No meu caso: LEDO ENGANO! Letícia mamou durante uns 40 min na sala de observação, regaçou meu seio, machucou, não encheu sua barriga (isso que me frustou: mamar tanto e sofrer de fome ainda!) e João nem pegar pegou.
Está em vigor a conscientização sobre a amamentação e virou moda amamentar no peito. Isso é ótimo, mas como todo modismo, o povo cria uma idéia que você é obrigada a dar o peito, senão mãe boa você não é. Sabe o que é as pessoas virem te perguntar: você dá o peito? E você ter que se explicar que o João não pegou e a Letícia não se sustenta? A pessoa te olha com cara de paisagem... dá vontade de falar logo de vez: não dou de ruim, porque não quero. Talvez seria mais fácil.
2- A FOME INFELIZ DOS GÊMEOS NO HOSPITAL
Para incentivarem os nenéns a pegarem o peito, a pediatra receitou apenas 10ml de fórmula de 3 em 3 horas. A primeira noite eu dormi das 5h às 6h da manhã. Os nenéns não paravam de chorar de fome e frio. Na manhã seguinte, pedi para meu pai trazer escondido um leite para dar para os nenéns e dito e certo: dormiram muito!
Por que deixar os bebês com fome? Isso me frustou muito.
3- O PSEUDO-RESSECAMENTO DO JOÃO
Tudo estava bem no quesito alimentação, até eu e minha mãe notarmos que o João fazia força para evacuar e que o cocô estava bem durinho. Depois de 2 dias, nada de cocô. Fomos aos PA da Femina e a pediatra que nos atendeu falou que era normal, não ideal, mas normal e receitou trocar a fórmula. Estávamos com o Aptamil Premium 1 e fomos para o NAN Confor 1 com o João. Enquanto isso Letícia se deliciava com o Aptamil e cagava horrores e mole, certinho para recém-nascidos.
Pensar na força que ele fazia para cagar me recordava todo meu sofrimento com meu ressecamento e hemorróidas e isso partia meu coração. Por que passar por isso tão pequeno?
4- FRIO DEMASIADO QUE SENTIAM
Tivemos que por, no mínimo, 1 semana dormir sem ar e ventilador. Suávamos horrores, mas as crianças sofriam demais de frio. Como podiam sentir tanto frio? Qualquer coisa gelavam as mãos, davam soluços. Cuidar dos gêmeos era como pisar em ovos. Era um sentimento muito ruim: qualquer coisa parecia prejudicá-los.
Não havia me preparado para esse frio: poucas eram as roupas com manga e pézinho. Eram, em suma maioria, manga curta ou regata. Nasceriam em agosto, mês mais seco e quente do ano. Por que pensar em frio? Mas não contava com essa necessidade dos gêmeos.
Em setembro outra surpresa: o maior frio do ano, 12°C! Vestimos roupas por cima de roupas nos bebês e os embrulhamos em cobertas. Que raiva de não saber, de não me planejar. Nossa, onde que imaginaria toda essa situação. Será que ainda usarei as demais roupas Ps? O que mais nos espera de imprevisto?
Estávamos no quarto deles e tivemos que nos readaptar: voltamos para o nosso, eles dormindo na cama comigo e Marcio no chão; deu certo a princípio, mas tivemos que nos reorganizar novamente, pois as noites não rendiam. Nessa entra o 5º itém.
5- DIVISÃO DE TAREFAS/ FILHOS
Não tivemos outra alternativa: dividimos a responsabilidade de cada filho. Marcio se responsabilizou pela Letícia e eu, pelo João. Não dormiámos a noite: os gêmeos alternavam as horas de sono. Você fazia um dormir, o outro acordava. Estava insustentável.
Quando Letícia chorava, Marcio saía com ela para a sala e fazia dormir lá e eu dormia com o João. Quando João acordava, eu cuidava dele e Marcio dormia, se estivesse dormindo. A qualidade da noite melhorou 50%. Por outro lado me pergunto: não estou relegando a Letícia? Dando mais atenção ao João?
As noites que tento abraçar o mundo são as piores noites. Infelizmente sou imperfeita e não consigo dar conta de tudo. Na medida do possível tento compensar de outras maneiras, mas sempre isso fica martelando em minha mente.
6- MINHA DIETA
Praticamente não cumpri a dieta. Com 15 dias carreguei peso, usei salto sem saber que não podia, peguei frio, garoa... tudo com a desculpa: poxa, Elaine, você está tão bem que até esqueço que você está operada. Puxa vida, 2 bebês não são o suficiente para lembrar do parto? Quero até ver como será o após, porque dizem que mulher que quebra a dieta sempre tem problemas futuros. E sei que estou dentro dessa.
7- FALTA DE PACIÊNCIA
Jamais imaginei que não teria paciência para as birras e manhas dos gêmeos. Dos gêmeos, não. Em grande parte da Leticia. Nos meus mais lindos sonhos, imaginei ser a mãezona, cuidadosa, perfeita. Porém, não. Às vezes falo alto, deixo chorar um pouco para ver se perde a bardia... coisas que não deveria fazer. Principalmente a noite em que o cansaço domina e a paciência falta. De manhã choro ou guardo no coração o arrependimento de não ter tido mais compreensão. Minha cabeça dói o dia inteiro, meio que hajo por instinto, reflexo. Eu amo meus bebês, mas não imaginei que eu seria assim.
8- DOR DAS PALAVRAS OUVIDAS DE OUTREM
A dor de cabeça acima não é nada perto da incompreensão alheia. As noites mal dormidas, o desgaste de tentar ser perfeita para 2 bebês, não ter tempo para cuidar de si e ainda ouvir: você só pensa em você; você tem que dar conta; os nenéns precisam de você (como se você não fizesse nada por eles). Se no desespero você solta uma abobrinha, os olhares tortos, as correções são imediatas. Mas em nenhum momento escuto: "Está tudo bem, Elaine? Como você se sente?" Realmente, às vezes penso em doá-los para quem realmente cuide deles, porque todos os dias me vejo incapaz de levar essa vida. Ao mesmo tempo meu coração se enche de amor e felicidade ao vê-los sorrindo e desenvolvendo tão bem.
9- REFLUXO E CÓLICAS DO JOÃO
É desesperador ver o João Paulo vomitando. É uma cachoeira que sai pela boca e pelo nariz. Raras vezes até se afoga. É angustiante vê-lo pequeno, sofrer com isso. Após os refluxos, ele fica mole, amarelinho e dorme. Muito triste, desestimulante. Falando a pediatra, ela recomendou dar o leite fracionado, parar para arrotar e voltar a mamar. Tem dado certo, mas de vez em quando sai um pouco.
Tinha aparecido algumas cólicas, mas nada sério. A doutora receitou Luftal e estava dando certo, até aumentar ainda mais as cólicas. Era triste ver como se torcia por nada: não peidava, não cagava e ficava pelo menos uma hora nessa. Pelo whats, ela recomendou trocar o leite pelo NAN SL. Sessenta reais a lata de 400g. No primeiro dia, aparentemente melhorou. Defecou 3x no dia e sendo o último mole, os arrotos estão mais fáceis de sair e os puns também. Estamos na expectativa de continuar nessa melhora.
Enfim, creio que seja só. Não quero desestimular ninguém. Só desabafar e deixar registrado esse momento da minha vida para num futuro olhar para trás e pensar: VENCEMOS!
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