segunda-feira, 16 de março de 2015

::: Adaptação e Adversidades Válidas :::

"Não será sempre cinza assim/ Tudo deve passar/ Tudo deve ir embora" (George Harrison)

Fevereiro. Ano de 2015.

Nada foi fácil. E quem disse que seria? Ou quem imaginaria? Estaria no lucro se fosse. Ar de desconfiança, como no post anterior mencionei; minhas sugestões de trabalho, por mais simples e visando o bem, eram rejeitadas (sendo que algumas ela era obrigada a aceitar mais tarde, porque eram certas [mas é claro, os créditos não foram dados a mim!]). Entretanto, ao mesmo tempo, minha presença era solicitada, meu trabalho "indispensável".

Meu bom humor sempre estava presente. Todos, a princípio, me estimavam. O que estragava era aquela situação constrangedora em que todos estávamos expostos.

Todos estavam desgastados. Meus companheiros de serviço estavam quase se pegando no pau, eu assistindo de camarote. Os despachantes diariamente desabafando suas insatisfações e a chefe pedindo para que segurássemos as pontas porque tudo não passava de estratégia de boicote a ela.

Em meio a essa situação que já estava acabando comigo, tive a infelicidade de um rapaz bater em meu carro num congestionamento no trajeto matutino rumo ao serviço. Sexta-feira 20/02. Foi a gota d'água. Depois de negociarmos o conserto do veículo, cheguei ao serviço e disse: "X, bateram em meu carro. Ficarei 4 dias sem carro e nesse período quero meus 30 dias de férias". Ela compreendeu, porém negociou: "Você não poderia pegar apenas 15 dias? Tem outras pessoas que tirarão férias e ficarei desfalcada" (nesse momento pensei: ahhh agora Elaininha presta hein!). Tudo bem, 15 dias!



Foi uma das melhores férias que tive. Sumi do mapa. Descansei. Andei de ônibus, andei a pé. Joguei videogame o dia inteiro em casa. Memoráveis dias! Carro arrumado, férias acabadas, volta ao trabalho. Estava tendo greve no DETRAN... bem, estou cagando e andando para o sindicato... vocês imaginam porque criei essa revolta né? (leia o post anterior). Fui trabalhar mesmo assim... afinal, temos que ter os 30%!

Nesse período não pensei em filho ainda. Aliás, pensei. Mas nada concreto, ou um desejo tão ardente como já passei. Não porque não queira mais, mas pelo o que passei foi tão complicado que repensei bastante como seria essa situação se tivesse um filho. Como minha rotina viraria de pernas para o ar, mais do que virou.

Marcio quer o filho. Queremos o filho. Penso que em março poderemos repensar a maternidade. Mas as regras atrasaram, minha pele ficou um sebo e criou espinhas. Já vi essa cena em novelas passadas... OVÁRIOS POLICÍSTICOS ON!

::: Janeiro e Problemas Inusitados :::

"Não é uma luta a vida do homem sobre a terra?" (Jó 7,1)

Janeiro. Ano de 2015.

Metade do mês de março e nada de post. Eu sei. Fui displicente. Mas com as explicações que darei tenho a certeza que serei perdoada.

O ano começou mal. O novo governador Pedro Taques tomou posse e veio com a corda toda se achando o tal. Eleito em primeiro turno; eleição passada iniciou sua vida política se candidatando a senador e ganhou em primeiro lugar. Está se achando o pitoco do dedo do Lula, ou melhor, o grãozinho de milho no cocô no vaso. Deu para notar que sou meio contra ele, né? É porque ele não teve muita repercussão como esperado como senador, a não ser num episódio em que ele defendeu um corrupto numa audiência, ou sei lá como se refere ao local e reunião que os senadores participam. E ele entra com a panca: SOU O JUSTICEIRO QUE COLOCARÁ A CASA EM ORDEM. Quer saber? Não acredito nisso nem um pouco, tanto que não ganhou com meu voto... 

Dia 02/01, sexta-feira, ele não emendou o feriado e plantou a primeira cagada: solicitou a volta do período integral dos servidores que ainda estavam meio período por causa das obras da Copa. Marcio entrou nessa, é claro. As obras acontecendo meia-boca, entretanto exigiu o retorno, mesmo sem sair no Diário Oficial. E os chefes paga-pau do governador? Acataram... e como retorno? Foram exonerados!!!

Dia 13/01: na surdina, decretaram os fechamentos das Agências VIPS e Postos de Atendimentos do DETRAN. Tudo tramóia! Algum tempo antes, o SINETRAN mudou a lei de regimento dos Postos e os colocaram como ilegais, inexistentes. Com o governo Taques, era óbvio: seguiram o que regiam a lei. Nós, que estávamos nos Postos de Atendimentos, saímos como ruins. O puppet do Presidente do Detran declarou na mídia que havia fraudes nas agências, falta de controle de pessoal etc. Às 8:10h o RENAVAM já estava as portas dos postos lacrando tudo, carregando tudo que via pela frente. Eu fiquei em estado de choque, entretanto tranquila. Soou estranho. Como se eu fosse uma traficante e minha boca de fumo estivesse sendo estourada. Seu ambiente não é mais seu. Você é indigno. Você é tachado como corrupto. É claro que em off a nova diretora de veículo imensamente pediu perdão por tudo. Mas como eu disse, EM OFF. A merda estava feita!!!



Quiseram me mandar para Cuiabá. Bati o pé que meu concurso era para Várzea Grande e era meu direito permanecer. Por fim, essa crise profissional que afetou todo o meu pessoal me deu uma diarréia e fiquei 2 dias parada em casa. A partir do dia 21 estaria na 5ª CIRETRAN.

Dia 21/01: juntamente com minha chegada e a do pessoal de outras agências, chegou a nova chefe da CIRETRAN. Bem, o clima era extremamente hostil, um ar de desconfiança, inimizade e boicote pairava. Como nunca me dei bem com situações semelhantes, minha vida se tornou um caos. Chegava em casa irritada, chorava muito.

Dia 22/01: a nova chefe decide fazer mudanças. Fui designada para conferir processos de despachantes... só conferir, nada de auditoria ou emissão. Fiquei bem perdida nesses momentos. Processos sumiam, processos apareciam misteriosamente. Foi um período extremamente conturbado. Não gostei do meu cargo: OOOOHHH CARGUINHO SEM FUTURO! Um cargo que não existia, um cargo que qualquer novo chefe acabaria num piscar de olhos, a não ser que fossem do mesmo pessoal. Estava muito insatisfeita. A distância aumentou para ir trabalhar, Marcio já não me ajudaria tanto em casa... tudo complicou.

Bem... tudo isso por quê? Pela primeira vez agradeci a Deus por não ter já tido um filho. Tudo bem se estivesse grávida, ou de licença maternidade. Mas com criança pequena, nossa, que transtorno seria!!! Esse foi o mês que definitivamente optei por adiar a maternidade... adiar sem impedí-la. Nesse mês tinha começado uma garrafada que até desisti. O mês foi tão chocante que parei todo o plano B.

Todavia, por incrível que pareça, minhas regras regularizaram. Um bom presságio? Mudanças de vida? Bem, vamos ver as cenas dos próximos capítulos.