quinta-feira, 25 de setembro de 2014

::: A Consulta :::

Do purgatório ao inferno...

Setembro. Ano de 2014.

Sim, você entendeu bem. Não é do céu ao inferno. O que eu vivo é um momento de purificação, só pode...

Fui a consulta com o doutor Alcir. Nossa, que doutor maravilhoso. Já tem uma idade mais avançada, experiência... era o que eu procurava. Um porto seguro, uma confiança.
 
Expliquei as duas situações do post passado ao médico. Com muita tranquilidade me ouviu, respondeu as minhas dúvidas, fez algumas perguntas e fomos ao preventivo (cara, os homens nunca saberão como é constrangedor esses tipos de exames... nem da próstata chega aos pés desses).
 
Na maca, ele notou algo diferente. Me falou de uma possibilidade de infecção no útero (esses lances de corrimento que qualquer mulher está propensa a ter), mas notou algo diferente. Já no consultório perguntou se o dr. Matheus Medeiros comentou algo sobre o meu colo do útero. Disse que não. Então veio o primeiro susto que realmente levei: como posso explicar?
 
 
Meu colo não está assim, mas para vocês entenderem, essa figura está perfeita. O colo do útero tem um tipo de células X. E mais ao fundo, no canal, existem células Y. As Xs acabam e começam bruscamente as Ys. O que ocorreu é que as Ys estão nas Xs. Mais ou menos como está nessa foto (apesar de essa foto ser de um câncer).
 
Entretanto o babado era esse: ele pediu um exame para fazer biópsia desse tecido, pois a questão é: se esse tecido ficar muitos anos nesse mesmo lugar "poderia" (como ele mesmo frisou as aspas com o dedo) se tornar um câncer. Mas era para eu ficar tranquila, porque não era o meu caso, pois senão o doutor anterior teria me comentado algo do gênero. Então me pediu exames de sangue para ver se tenho anemia, de urina e uma ultrassom transvaginal para ver meus ovários.
 
Na altura do campeonato, você acha que estava pensando em ovário? Na minha cabeça eu já tinha o câncer em estado terminal (sabem que mulher já vê o futuro que nem existe né?). Fiquei um bagaço a sexta-feira inteira no meu serviço. Eu chorei, tenho que assumir. Cheguei na casa dos meus pais, meio sem paciência. Antes de dar outra patada, contei o caso a minha mãe e meu pai. Nessas horas o apoio da família é fundamental! Minha mãe, que possivelmente teve a SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) (possivelmente porque ela nem tomava anticonceptivo e não engravidava e tinhas as regras irregulares!) me disse: "Vixe, Elaine, você é igual a mim. Começou os problemas de útero. Minha filha, você é nova. Não será nada!" e meu pai, já aflito (só que ele mostra a preocupação dele sendo "rude"): "Minha filha, ranca esse trem fora, vai ficar tratando esse trem doente pra quê?". kkkkkkkkkkkkkk e minha mãe complementou: "Se for algo grave, adota uma criança!" e meu pai concordou. Mas peraí: meu pai concordou? Ele que é contra adoção? Para você ver como os pais abrem até mão de certas crenças pelo bem dos filhos.
 
Sai dali animada. Em casa contei ao Marcio que me tranquilizou muito. Fizemos um acordo: caso até os 30 anos eu não engravide, iremos adotar uma criança.
 
O que me restava agora era aguardar o dia do exame, que estava marcado para a próxima segunda-feira e ver o que a doutora falaria sobre minha situação.

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